Animais

Todos os anos, aproximadamente 70 milhares de milhões de animais terrestres1 e biliões de peixes são abatidos para alimentação. Paralelamente, a agricultura animal ainda conduz inúmeras espécies selvagens à extinção.

Contador de animais mortos em Portugal 2019

animais foram mortos para a produção de alimentos até agora, este ano, em Portugal

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Animais de criação industrial

A maioria dos animais criados para produção de carne, leite e ovos são criados em fábricas. Vivem as suas vidas amontoados dentro de celeiros ou vastos armazéns, sem nada para preencher as suas mentes e sem cuidados individualizados. Milhares de milhões morrem sem sequer atingir a idade de abate, longe das nossas vistas e dos nossos corações. No entanto, quando confrontados com a realidade da vida destes seres – a imundice e a miséria, a doença e o desespero – muitos de nós consideram este sistema injustificável. Nenhum de nós deseja ser responsável por infligir tamanho sofrimento e, no entanto – quando compramos carne, peixe, ovos ou lacticínios – não podemos negar o facto desconfortável de que estamos a contribuir e a garantir a sua continuidade.

Documentários valiosos como o Dominion, Earthlings, e o Land of Hope and Glory expõem a verdade sobre o que acontece aos animais criados nestas condições.

Melhores Condições?

Alguns rótulos de alimentos, como “de pasto” e “criados ao ar livre”, podem ser enganadores. A criação ao ar livre, por exemplo, não significa que os animais tenham estado no exterior. Pode significar apenas que tiveram breve acesso. Os leitões criados ao ar livre podem ser introduzidos em unidades de engorda industriais, em espaços interiores, no prazo de algumas semanas após o nascimento. E é improvável que as vacas alimentadas com pasto tenham estado no pasto ao longo das suas vidas. Podem ter sido confinadas a espaços reduzidos por longos períodos de tempo e simplesmente ter sido alimentadas com ração à base de pasto.

Embora estes produtos sejam comercializados especificamente para nos tranquilizar de que tudo está bem, e frequentemente mostrem animais felizes nas embalagens e nos anúncios, a realidade é que os animais sofrem em todas as fases das suas vidas para que possamos consumir a sua carne, leite e ovos.

Os cinco segredos da pecuária moderna

As mães perdem as suas crias. As fémeas são tratadas como máquinas de reprodução e muito poucas são autorizadas a cuidar das suas crias. Os ovos são retirados das galinhas e chocados industrialmente; os leitões são retirados das porcas com apenas algumas semanas de idade; e os vitelos são retirados das vacas leiteiras para que não bebam o seu leite. As vacas sofrem a perda das suas crias durante dias a fio e chamam repetidamente pelo seu regresso.

As vacas não produzem leite simplesmente porque sim, têm primeiro de engravidar. O mesmo se aplica a todos os mamíferos. A fim de manter o fluxo de leite, as vacas leiteiras são repetidamente inseminadas, o que tem um enorme impacto físico. Os seus corpos colapsam e muitas são consideradas “gastas” antes de completarem seis anos de idade.

A pecuária gera sub-produtos indesejados que também acabam por ser abatidos. Os pintos machos nascidos na indústria dos ovos são considerados inúteis porque não podem pôr ovos, e por isso são mortos – gaseados ou triturados – no seu primeiro dia de vida. Da mesma forma, os bezerros machos nascidos na indústria de lacticínios não podem dar leite. Alguns podem ser criados para carne de vitela ou de vaca, enquanto outros serão abatidos à nascença.

As mutilações são comuns. As galinhas e perus têm as extremidades dos bicos cortados, as vacas são castradas e são-lhes retirados os cornos, enquanto os porcos podem ver os seus dentes e caudas cortadas – tudo sem anestesia ou analgesia.

Ninguém sai com vida. As porcas usadas para criar leitões não são reformadas quando ficam demasiado velhas. São enviadas para abate. Mesmo as galinhas poedeiras e as vacas leiteiras são abatidas quando já não são consideradas suficientemente produtivas e os seus corpos enfraquecidos são transformados em produtos de baixa qualidade.

Então e os peixes?

Os navios comerciais de pesca apanham dezenas de milhares de peixes de uma vez só. Os animais no fundo da rede são esmagados pelo peso dos peixes no topo e a rápida mudança de pressão pode fazer com que os seus estômagos, intestinos e olhos sejam empurrados para fora dos seus corpos. Não existem normas que regulem o abate no mar.

Nas explorações de aquacultura, os peixes são amontoados densamente em compartimentos frequentemente imundos. É necessária uma série de químicos apenas para os manter vivos. Neste ambiente stressante, muitos peixes tornam-se agressivos e podem morder as barbatanas, caudas e olhos de outros peixes. Este comportamento perturbador e destrutivo pode ser observado também noutros animais criados em fábricas.

Seres sencientes

Os animais, como nós, são seres sencientes e inteligentes com personalidades distintas. São perfeitamente capazes de sentir conforto, felicidade, medo e dor. Consoante as circunstâncias, ficam alegres, tristes, assustados ou aborrecidos, e choram a perda dos seus filhos. Formam grupos de amizade, têm preferências e as suas vidas importam para eles da mesma forma que as nossas importam para nós. Sabemos que isto se aplica aos nossos animais de companhia – os cães, gatos e outros com quem partilhamos as nossas casas – e também se aplica aos animais de criação. Dada a oportunidade, as vacas correm e saltam de alegria, as galinhas adoram perseguir uma bola e as ovelhas podem ser muito brincalhonas. Mas nas explorações agrícolas modernas, nada disto é possível, e mesmo os instintos mais básicos – incluindo vaguear, nidificar e cuidar das suas crias – são-lhes negados.

Para a maioria dos animais de criação, não há nada que faça com que a vida valha a pena, e embora não sejamos nós que os coloquemos em gaiolas ou lhes cortemos a garganta, estamos a patrocinar o seu sofrimento com cada compra de produtos de origem animal.

Felizmente, há uma maneira mais bondosa de viver a vida.

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1 ‘Strategic Plan 2013-17: For kinder fairer farming worldwide’, Compassion in World Farming [https://www.ciwf.org.uk/media/3640540/ciwf_strategic_plan_20132017.pdf]

Adopta a dieta vegana durante a Quaresma

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