A vida secreta dos porcos

Image credit: Jo-Anne McArthur | We Animals

Algumas pessoas pensam que os porcos são imbecis e sujos, e podemos até chamar alguém de porco como um insulto. Na verdade, os porcos não são muito diferentes dos cães. São animais complexos, inteligentes e empáticos que merecem a nossa consideração. Talvez esteja na hora de actualizar o modo como pensamos sobre – e tratamos – os porcos.

Quão inteligentes são os porcos?

De acordo com alguns especialistas, os porcos são dos animais mais inteligentes, ainda mais do que os gatos e os cães.

Os porcos têm grandes competências de orientação e memória. Eles lembram-se de onde estava a comida e podem até lá voltar mais tarde à sua procura. Quando estão perdidos, os porcos são capazes de encontrar o caminho de volta para casa, mesmo estando a longas distâncias. Não posso dizer o mesmo de mim, a menos que utilize um GPS. O jornal The New York Times chegou a publicar notícias sobre porcos que utilizavam espelhos para encontrar comida.

A inteligência dos porcos pode até rivalizar com a dos chimpanzés. Num estudo em particular, porcos foram ensinados a mover um cursor num ecrã como forma de seleccionar os esboços que reconheciam e que tinham visto antes dos que lhes eram desconhecidos. Foram capazes de fazer isto tão depressa quanto os chimpanzés. Também têm a capacidade de manipular objectos como dispositivos de fornecimento de alimentos e água e ligar e desligar ventoinhas ou aquecedores.

Como é que os porcos se comportam e processam emoções?

O especialista em ciência veterinária, Dr. Mike Mendl, disse que “os porcos podem desenvolver um comportamento social competitivo bastante sofisticado, semelhante ao observado em algumas espécies de primatas”.

Os porcos adoram tomar banhos de sol e brincar. Uma percepção comum sobre os porcos é que adoram descansar e rebolar na lama. Isto é verdade! Mas não o fazem para se sujar propositadamente – os porcos não têm glândulas sudoríparas, por isso esta é uma forma comum e eficaz de se manterem frescos quando as temperaturas estão mais quentes. Não nos faltam provas de que os porcos em ambientes descontraídos e divertidos podem, de facto, desfrutar do melhor da vida. Alguns dos meus porcos favoritos para acompanhar nas redes sociais são o Pickles e a Esther the Wonder Pig.

Os porcos adoram receber festas e massagens na barriga – tal como os cães que todos conhecem e adoram. Existem muitas provas engraçadas disto na internet.

Como são tratados os porcos hoje em dia?

As vidas da maioria dos porcos de hoje em dia são bastante miseráveis, uma tragédia se considerarmos as suas complexas capacidades emocionais e intelectuais. Na América, muito poucas leis e essencialmente nenhuma lei federal contemplam a forma como são tratados os porcos. Uma das poucas leis federais, intitulada Humane Slaughter Act, foi aprovada na década de 1950 sob o mandato do presidente Eisenhower e mal foi actualizada ou aplicada desde então. Entretanto, a produção aumentou drasticamente e as condições tornaram-se muito piores.

As explorações agrícolas onde os porcos são criados estão longe de ser um pasto idílico onde os porcos podem correr livres. Em vez disso, os porcos são criados em unidades fabris escuras, fedorentas e imundas, e partilham espaços reduzidos com milhares de outros animais.

Nas explorações agrícolas, os porcos são submetidos a “práticas comuns” incrivelmente cruéis. Logo após o nascimento, com apenas duas a três semanas de idade, são separados das suas mães. Sofrem mutilações cruéis: os leitões machos podem ser castrados e as caudas dos leitões são frequentemente rasgadas ou cortadas. Tudo isto acontece habitualmente sem o uso de anestesia ou analgesia.

As fêmeas reprodutoras são frequentemente colocadas em jaulas de gestação durante toda a gravidez e no período da amamentação. Estas jaulas são geralmente tão pequenas que as fêmeas nem sequer se conseguem levantar ou virar. As jaulas de gestação costumam situar-se sobre placas de metal por onde passam os seus excrementos. Isto origina níveis elevados de amoníaco, uma vez que os seus resíduos são frequentemente negligenciados. São inseminadas pelo menos 2 vezes por ano e são submetidas a este ciclo uma e outra vez, até serem consideradas “gastas”.

As vidas dos porcos também se tornaram incrivelmente curtas. Os porcos que são bem tratados podem viver entre 15 a 20 anos, mas nas unidades de criação industrial são geralmente abatidos entre os 2 e 12 meses de idade.

Como podemos ajudar os porcos?

Independentemente da nossa fé, conseguimos reconhecer que a forma como os porcos são tratados nas unidades de criação industrial provavelmente não está de acordo com os nossos valores. Felizmente, há muito que podemos fazer como indivíduos e como sociedade para tornar o mundo num lugar mais justo. Uma das melhores coisas a fazer é deixar os animais, como porcos, fora do nosso prato. Encorajamos-te a experimentar o veganismo nesta Quaresma. Para te ajudar, temos um Kit de Iniciação ao Veganismo com listas de receitas, informações nutricionais e sugestões de como aprender mais.

Além disso, também podes ajudar a apoiar a nossa campanha ao subscrever os nossos e-mails, acompanhar as nossas redes sociais (Twitter, Instagram, YouTube e Facebook) e encorajar os teus amigos a fazer o mesmo.

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