Poderá a produção de leite e os ovos ser livre de crueldade?

A maioria de nós tenta não pensar nos animais que comemos. Não queremos saber onde passaram e terminaram as suas vidas, nem o que suportaram pelo caminho, e é improvável que alguém alguma vez tenha considerado quem eram estes animais: se foi mãe, se tinha amigos, se era extrovertido ou tímido. As pessoas que estão preocupadas com o sofrimento desnecessário dos animais de criação escolhem ser vegetarianas, mas cada vez mais começamos a compreender que o mesmo sofrimento de que não gostamos no comércio de carne, é também prevalente nas indústrias dos ovos e dos lacticínios. É apenas menos evidente.

As provas de que os animais tiveram de morrer para a produção da carne estão nos nossos pratos. Não há como escapar a esse facto. E, no entanto, quando comemos um ovo — especialmente um ovo rotulado de “criação ao ar livre” – tranquilizamos a nossa consciência ao imaginar que a galinha que o colocou está neste momento a procurar alimento num campo ao sol. E quando vertemos leite para os nossos cereais, imaginamos a vaca leiteira que no-lo deu e esperamos que esteja a desfrutar do seu dia num prado.

Mas não é assim que funciona a pecuária industrial.

As galinhas poedeiras são de uma espécie particular, criadas intencionalmente para que ponham o maior número possível de ovos e consumam o mínimo de ração possível. É aí que reside o lucro. No Reino Unido, por exemplo, cerca de metade de todos os ovos provêm de aves criadas em gaiolas (apesar do que pensam as pessoas, as gaiolas não são proibidas, desde que possuam um poleiro e sejam consideradas “melhoradas”), e metade de galinhas criadas ao ar livre. Mas as aves de ar livre ainda não vagueiam pelo campo. A maioria vive em hangares que se assemelham a um armazém industrial com dezenas de milhares de outras aves. Se o clima permitir, terão acesso ao ar livre, que pode não ser mais do que um mero pedaço de terra, e muitas aves nunca chegarão a vê-lo. As galinhas são aves territoriais e as aves mais fracas não se atrevem a atravessar a unidade para encontrar a saída.

Independentemente do sistema – seja de criação ao ar livre, de celeiro, orgânico ou em gaiolas – existe um segredo obscuro no coração da indústria dos ovos: os pintos (machos). Para cada pintainho fêmea chocada que virá a pôr ovos, chocará um pintainho macho nunca terá hipótese de o fazer. Será uma ave magra demais para ser criada para carne e, portanto, a indústria não desperdiça alimentos com a sua nutrição. Será morto no seu primeiro dia de vida – gaseado até à morte no Reino Unido, ou morto, triturado enquanto vivo, noutras partes do mundo. É um negócio impiedoso.

E o cenário é pouco melhor para as vacas. Para produzir leite, uma vaca – bem como todas as fêmeas de espécies mamíferas – tem primeiro de engravidar. Mas não é o seu vitelo que é desejado, é o leite que ela própria produz. Se o bezerro for fêmea, será retirada dentro de poucos dias e alimentada com leite de substituição, para que o leite que a mãe produziu especialmente para a sua cria possa ser vendido para consumo humano. O bezerro fêmea crescerá e poderá seguir os passos da sua mãe na indústria e, tal como as suas ascendentes, ela sofrerá o impacto físico de inseminações repetidas, partos e ordenhas quase constantes. Também ela ficará desgastada aos cinco ou seis anos de idade – “gasta”, como lhe chama a indústria – e será enviada para abate. A sua filha irá substituí-la, e assim o ciclo continua.

Para bezerros machos, o futuro pode ser ainda mais curto e sombrio. Não podem produzir leite e são, frequentemente, da raça errada para a criação de carne de bovino. Alguns são criados para carne de vitela, enquanto outros são simplesmente abatidos na exploração logo após o nascimento. Tudo, porque queremos o leite para nós o leite produzido pela sua progenitora.

Seja o bezerro macho ou fêmea, a separação da mãe é devastadora para ambos. Há muito se sabe que as vacas choram a perda dos seus bezerros e algumas gritam por dias, chamando desesperadamente pelos seus filhotes perdidos. O impacto emocional é incalculável. A eliminação dos vitelos machos é uma prática rotineira nas explorações consideradas de elevado bem-estar, bem como nas unidades industriais de “pastoreio zero”. É a natureza da indústria.

Mudar para alternativas mais compassivas é bastante simples: podemos, por exemplo, optar por leites vegetais para o nosso pequeno-almoço, e substitutos de ovos para ovos mexidos ou na pastelaria. Não precisamos de comer quaisquer produtos de origem animal e, cada vez mais, as pessoas estão a preferir comprar produtos à base de plantas para evitar contribuir para este sofrimento.

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