Porque é que os produtores de animais estão a transitar para o cultivo de plantas?

Este ano, o documentário “73 Cows” ganhou o prémio BAFTA de melhor curta-metragem. O filme documenta a decisão tomada pelos criadores de bovinos britânicos Jay e Katja Wilde de renunciarem à criação de animais depois de terem assumido o sofrimento que haviam causado, e de tentarem encontrar uma nova forma de manter a exploração agrícola a funcionar e de assegurar a sua subsistência. É um filme de arrepiar a alma.

A activista vegana Genesis Butler conheceu o casal em Janeiro. “O que vos fez parar de matar animais?”, perguntou-lhes ela.

Jay respondeu: “Sendo pequenos agricultores, geralmente levávamos um ou dois de cada vez para serem abatidos. Abandoná-los, que foi o que fizemos, neste lugar terrível, parecia uma traição”.

Genesis perguntou: “Conseguiu perceber que eles estavam assustados?”

E o Jay disse-lhe: “Sim, tenho a certeza que sim.”Jay e Katja não podiam mais tolerar a ideia de fazer parte de tal sofrimento e tomaram uma grande decisão: permitir que a sua última manada viva. Hoje, dezessete vacas permanecem com eles na sua quinta como “animais de estimação queridos”, enquanto as restantes se encontram no Santuário de Animais de Hillside, onde viverão o resto dos seus dias.

Esta é uma história extraordinária, e já não é única. Em Janeiro, um criador de ovelhas de Devon transportou os seus cordeiros até aos Santuários Goodheart Animal, em vez de os levar até ao matadouro. Sivalingam Vasanthatumar, que era agricultor há 47 anos, disse que não suportava mais colocar os animais sob stress: “Já não aguentava mais, e tive de dizer que não.

Algumas semanas mais tarde veio outro relatório, desta vez de Sussex, onde antigos produtores de carne bovina tomaram a decisão de parar de criar animais e, em vez disso, passaram a concentrar-se na produção de frutas e legumes. Esta foi uma decisão motivada por questões de negócio, e não pela ética pessoal, e mostra que os agricultores progressistas com um olhar para o futuro podem ver que a alimentação à base de plantas está prestes a aumentar, e que os agricultores terão de se adaptar a este mercado em mudança.

O veganismo está a crescer tão rapidamente que todos os dados estatísticos publicados ficam quase automaticamente desactualizados. Em Janeiro deste ano, mais de um quarto de milhão de pessoas de todo o mundo se comprometeram a tornar-se veganas em Janeiro, na iniciativa anual Veganuary. Os inquéritos realizados pela campanha sugerem que cerca de dois terços dos que participam permanecem veganos, enquanto quase todos os outros reduzem significativamente o seu consumo de produtos de origem animal. Em 2017, o número de veganos portugueses foi estimado em 60.000. Hoje, é provável que esse número tenha aumentado e é uma tendência que é replicada em todo o mundo.

Como todos os outros, os veganos dependem dos agricultores para cultivar alimentos, mas todos nós devemos reconhecer que a agricultura não pode utilizar tanta terra e recursos, para que possamos compartilhar este planeta com as outras espécies que aqui habitam. Precisamos que a nossa agricultura produza menos emissões de gases com efeito de estufa. E a maioria de nós, no fundo dos nossos corações, preferiria alimentar-se sem ter de causar sofrimento terrível a outro ser. Uma dieta à base de plantas proporciona tudo isto e muito mais. E à medida que um número crescente de pessoas transita para uma dieta vegana, mais e mais agricultores se diversificarão, evitando a pecuária e as suas consequências negativas e adoptando formas de agricultura mais amigas do planeta.

Podemos todos começar a comer plantas para salvar o planeta! Descarrega gratuitamente o teu Kit de Iniciação ao Veganismo aqui.

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