Dia Internacional da Terra | Por que razão cada um de nós desempenha um papel importante na manutenção do nosso planeta

O Dia Internacional da Terra é um tempo de equilíbrio: uma oportunidade global para pôr de lado as nossas diferenças geográficas e políticas e responder à nossa necessidade mútua de salvaguardar a Terra para as gerações futuras.

De animais e insectos a bactérias e plantas, a Terra abriga actualmente cerca de 8,7 milhões de espécies diferentes que formam os numerosos ecossistemas dos quais depende a estabilidade do nosso planeta.

Poucos de nós compreenderão plenamente por que razão as espécies individuais, como as abelhas, os lobos e o fitoplâncton, são componentes cruciais dos ecossistemas terrestres e aquáticos, mas cada espécie, por mais pequena que seja, tem um papel importante a desempenhar no aumento da produtividade dos ecossistemas e na manutenção da vida no nosso planeta.

É por isso que temos de ajudar a preservar a diversidade da vida selvagem da Terra, abstendo-nos de actividades que a prejudiquem.

A Sexta Extinção em Massa de Espécies

De acordo com um estudo realizado por cientistas da Universidade Nacional Autónoma do México (UNAM), a actividade humana está actualmente na origem de uma das maiores extinções em massa de espécies a que o mundo já assistiu, colocando-nos à beira do sexto evento de extinção em massa da Terra e ameaçando a sobrevivência da civilização humana, caso não actuemos rapidamente.

O estudo concluiu que, apenas no século passado, cerca de 477 espécies diferentes desapareceram devido ao consumo humano excessivo e à destruição de habitats naturais. Os cientistas envolvidos afirmaram que esta “aniquilação biológica” representa um “assustador assalto aos fundamentos da civilização humana” que “terá graves consequências ecológicas, económicas e sociais”.

Acrescentaram que “todos os sinais apontam para ataques cada vez mais poderosos à biodiversidade nas próximas duas décadas, pintando um quadro sombrio do futuro da vida, incluindo a vida humana”.

Não há melhor dia do que o de hoje para fazer face à ameaça que o nosso planeta enfrenta e para nos perguntarmos o que podemos fazer para ajudar.

Causas

A vida selvagem está a morrer devido a actividades humanas como as alterações climáticas, a desflorestação, a perda de habitats, a pesca excessiva, a agricultura insustentável e a poluição.

Desflorestação

As árvores desempenham um papel vital na nossa sobrevivência, removendo as emissões nocivas de dióxido de carbono (CO2) da nossa atmosfera. A desflorestação causa danos ambientais incalculáveis, libertando milhares de milhões de toneladas de CO2 na atmosfera e conduzindo milhares de espécies de vida à extinção todos os anos.

Nos últimos vinte e cinco anos, as florestas tropicais foram limpas de uma área do tamanho da Índia e o principal responsável por esta situação é a pecuária.

Embora o óleo de palma, a soja e a madeira também sejam grandes impulsionadores da desflorestação, a limpeza das florestas para dar lugar ao pastoreio de gado é responsável por 71% da desflorestação da Amazónia, enquanto 70% de toda a soja cultivada é realmente fornecida aos animais que comemos sob a forma de ração.

É por isso que a rejeição de comprar ou consumir produtos de origem animal é considerada uma das formas mais eficazes para um indivíduo ajudar a combater a desflorestação e a perda de habitats.

Pesca excessiva

Estima-se que entre 0,97 e 2,7 milhões de milhões de peixes são capturados na natureza e mortos globalmente todos os anos, e a maioria das empresas pesqueiras – movidas exclusivamente pelo lucro – maximizam o que retiram do mar com pouca preocupação com os métodos utilizados para capturar o seu pescado. Consequentemente, uma percentagem assustadoramente elevada das zonas de pesca do mundo está agora em declínio.

Em 2003, um relatório científico estimou que a pesca industrial havia reduzido o número de grandes peixes marinhos para apenas 10% da sua população pré-industrial. Um estudo sobre dados de capturas publicado na revista Science previu, de forma sombria, que se as taxas de pesca continuarem a aumentar, todas as zonas de pesca do mundo terão colapsado até ao ano de 2048.

Mas a pesca excessiva não significa apenas que vamos ficar sem peixe comestível. Em conjunto com os corais moribundos e o clima extremo provocado pelas alterações climáticas, implica o colapso de ecossistemas aquáticos importantes e, simultaneamente, a incapacidade dos nossos oceanos para manter a vida no planeta Terra.

Os nossos oceanos sustentam o nosso planeta, regulam o clima e os níveis de oxigénio na nossa atmosfera, e têm sido um poderoso aliado contra o aquecimento global, absorvendo 93 por cento do dióxido de carbono libertado pelas actividades humanas.

Por este motivo, quando o Capitão Paul Watson declara “se o oceano morrer, todos nós morremos”, não se trata de uma brincadeira. É por isso que recomendamos que deixes o peixe fora do teu prato se quiseres ajudar a proteger os oceanos e todo o planeta.

Poluição

Globalmente, mais de 70 mil milhões de animais terrestres são mortos para alimentação todos os anos. Isto não só resulta em sofrimento em grande escala, mas também em quantidades colossais de resíduos animais, alguns dos quais são utilizados como fertilizante de culturas e a maioria dos quais são armazenados em grandes lagoas.

As descargas de resíduos animais e fertilizantes provenientes de explorações industriais poluem os nossos rios e as nossas águas costeiras. A Agência de Protecção do Ambiente (EPA) informa que mais de metade de todos os rios dos EUA são agora inadequados para a vida aquática, em grande parte devido à poluição de nutrientes causada por práticas agrícolas industriais, ao passo que os rios na Europa estão também contaminados.

O Rio Mississippi, que, com 3730 quilómetros de comprimento, é o principal sistema de drenagem do continente norte-americano, transporta quantidades significativas de fertilizantes, azoto orgânico e estrume fosforoso das explorações fabris para o Golfo do México, criando a maior zona hipóxica (“zona oceânica morta”) do mundo – uma zona morta com mais de 8.750 quilómetros quadrados. As algas verdes fluorescentes proliferam na água ao largo da costa sul da América como resultado e a maioria da vida marinha morreu ou abandonou a área.

Alterações Climáticas

As alterações climáticas são o desafio global que define o nosso tempo. É algo que terá impacto em todos os animais e plantas, em todos os ecossistemas, no bem-estar e na saúde de milhares de milhões de pessoas e, em última análise, na nossa capacidade de sobrevivência.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), a pecuária é responsável por 14,5% de todas as emissões de gases de efeito estufa causadas pelo Homem – um valor superior ao das emissões de combustíveis provocadas pela circulação de todos os carros, aviões, comboios e navios do planeta.

As emissões dos próprios animais desempenham um papel, mas cada passo na produção de carne, leite e ovos é intensivo em carbono, desde a limpeza da terra para pastagem ou para produzir ração, até ao transporte de animais para abate. Portanto, não é de surpreender que os investigadores climáticos apresentem a redução do nosso consumo de produtos de origem animal como uma das melhores formas de ajudar a sustentar o nosso planeta, além de reduzir a nossa utilização de combustíveis fósseis como o carvão e o petróleo.

Joseph Poore, um cientista ambiental da Universidade de Oxford, calculou que somente através de uma mudança na dieta poderíamos reduzir nossas emissões globais de gases de efeito estufa até 50%.

A Solução

Reduções no consumo de recursos, mudanças na forma como pensamos sobre o nosso papel no ecossistema da Terra e uma vontade de considerar e cuidar das outras espécies dentro da nossa comunidade biológica levarão a um ecossistema planetário mais saudável.

É essencial que comecemos a apreciar melhor o nosso papel de engrenagem numa comunidade biológica vasta e interdependente e compreendamos que a nossa capacidade de dominar os recursos do planeta não significa que o devamos fazer. Significa apenas que somos directamente responsáveis por determinar o futuro do ecossistema do qual nós, e todas as outras formas de vida, dependemos.

Todos os seres vivos têm um valor intrínseco, e cada um desempenha um papel único na complexa teia da vida. Temos de trabalhar em conjunto para proteger as espécies ameaçadas e em perigo de extinção. Se não o fizermos, a extinção pode ser o legado mais duradouro da humanidade.

No Dia Internacional da Terra, há um par de coisas importantes que podem fazer imediatamente para ajudar a sustentar a vida neste planeta:

 

  • Junta-te à campanha Million Dollar Vegan na educação e sensibilização sobre a relação entre as nossas dietas e questões planetárias como a desflorestação, a morte de oceanos, a poluição da água, a perda de espécies e as alterações climáticas.

 

 

Para saber mais ou para apoiar a transição para um estilo de vida vegano mais sustentável, descarrega aqui o nosso Kit de Iniciação ao Veganismo gratuito.

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