Porque é que a carne de pasto não é melhor, para ninguém.

A carne de bovino alimentada de pasto é comercializada como a trifecta perfeita: mais saudável, sustentável e digna – mas isto é realmente verdade ou é apenas bom marketing?

A carne de vaca alimentada de pasto é saudável?

A carne vermelha, que inclui carne bovina, suína e ovina, tem sido indicada por cientistas como um factor que aumenta o risco de desenvolver diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e alguns tipos de cancro (cólon e mama). A Organização Mundial de Saúde classifica a carne vermelha como “provavelmente cancerígena”. Embora haja quem argumente que a carne de vaca alimentada com pasto é mais saudável do que a alimentada com cereais, pois tem mais ácidos gordos saudáveis, nenhum estudo demonstrou que este pequeno aumento nos ómega-3 é suficientemente significativo para ter impacto na nossa saúde em geral. O benefício oode ser comparado ao de uma pequena salada a acompanhar com o teu hambúrguer e batatas fritas. Por outro lado, existem muitos estudos que comprovam os benefícios para a saúde do abandono da carne e do consumo de uma dieta totalmente vegetal.

Embora a carne possa desempenhar um papel nutricional importante em comunidades de baixos rendimentos – nas quais as dietas podem ser limitadas, em termos de diversidade – a excelente distribuição de alimentos nas nações ocidentais permite que muitos comam uma gama diversificada de alimentos vegetais saudáveis e nutricionalmente densos durante todo o ano.

A carne de vaca alimentada de pasto é melhor para o planeta?

As vacas que pastam num campo verde parecem certamente mais naturais, especialmente porque todos sabemos que as vacas devem comer erva.

Uma vez que a pastagem de gado num campo bem gerido pode aumentar a capacidade do solo para absorver e armazenar carbono, tem sido defendido que as vacas alimentadas com erva, ao contrário do que acontece com os seus semelhantes alimentados com cereais, podem ser neutras em termos de emissões de carbono. Embora isso possa ser plausível, investigadores da Universidade de Oxford analisaram essa teoria num relatório de 2017 que concluiu que a carne de vaca alimentada com erva não é melhor para o planeta; na verdade, é pior. Isto, porque:

 

  1. A dieta das vacas alimentadas com erva contém mais fibra de celulose do que a alimentação de cereais e a digestão da erva exige uma maior fermentação, o que provoca a libertação directa de duas a quatro vezes mais metano por parte das vacas. O metano é muito pior para o aquecimento global do que o dióxido de carbono (CO2), pois tem cerca de 25 vezes mais potencial de aquecimento do que o CO2.

 

  1. As vacas alimentadas com pasto demoram mais tempo a crescer e a atingir o peso de abate, pelo que vivem mais tempo e, por conseguinte, produzem mais emissões ao longo do seu ciclo de vida.

 

  1. As vacas alimentadas com pasto necessitam de cerca de 41% mais área do que as vacas alimentadas com cereais. A criação de vacas, por si só, é responsável por 70% da desflorestação no Brasil, pelo que a opção pelo consumo de carne de vaca alimentada com pasto irá exacerbar ainda mais esta destruição.

Quando se trata do meio ambiente, a carne de vaca alimentada com pasto não é o menor de dois males, e se realmente desejas comer uma dieta sustentável, uma dieta à base de plantas é a melhor opção, uma vez que produz menos gases com efeito de estufa e requer muito menos terra e água. Aliás, Joseph Poore, da Universidade de Oxford, diz que ser vegano é a medida mais importante que podemos tomar para ajudar o planeta.

A carne de vaca alimentada de pasto é mais ética?

Mais bondosa para as vacas

As vacas que pastam num campo verde sob o sol parecem muito mais felizes do que as que vimos nas imagens de vacas sob stress em instalações industriais superlotadas. No entanto, o termo “de pasto” não significa necessariamente que as vacas sejam tratadas de forma diferente. Em muitos países, existem poucos regulamentos sobre o que realmente constitui “pastagem”. Nos EUA, as vacas alimentadas com erva não precisam de pastar; podem permanecer presas num compartimento e alimentadas com pastilhas de erva. Recentemente, no Canadá, foram criados regulamentos sobre o que constitui “pastagem”, mas estes continuam a não abordar muitas das outras questões de bem-estar, tais como o transporte demorado e cansativo para os matadouros e, em última instância, a morte de um ser vivo.


Alimentar o mundo

Outro argumento frequente é que, ao permitir que as vacas se alimentem de pasto, podem absorver energia que de outra forma não estaria disponível (ou seja, erva e feno) e transformá-la num alimento nutricionalmente denso (ou seja, carne).

Embora à primeira vista este argumento pareça válido, terá por base o actual conhecimento científico? Actualmente, 821 milhões de pessoas vão para a cama com fome todas as noites. Em 30 anos, precisaremos de produzir 70% mais alimentos para alimentar a população crescente. Para produzir esse alimento precisaremos de mais terra, já de si um recurso limitado, e as terras usadas para pastorear as vacas e cultivar os respectivos alimentos poderiam ser reutilizadas para alimentar directamente os seres humanos. Como mencionado anteriormente, a carne de vaca alimentada com pasto requer 41% mais terra do que a carne de vaca alimentada com cereais, e esta já ocupa uma grande área de terra.

Embora, aparentemente, o debate sobre a carne de vaca alimentada com pasto pareça ser convincente, ao olharmos para o futuro, torna-se claro que a carne de vaca alimentada com pasto não vai resolver os principais problemas que enfrentamos num planeta em aquecimento nem alimentar uma população crescente.

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