Por que engordamos animais enquanto seres humanos passam fome?

Por Jessica Cotton


Aqui vai uma informação surpreendente que talvez você desconheça: mesmo com as dificuldades impostas pelas mudanças climáticas, a quantidade de grãos produzidos em escala global poderia alimentar o dobro de pessoas que habitam a Terra atualmente.

Então, por que 815 milhões de pessoas não têm comida suficiente para poderem viver de forma minimamente saudável? Isso significa dizer que uma a cada nove pessoas passam fome todos os dias, principalmente nos países em desenvolvimento.

A resposta está nos nossos pratos

Em média, mais de 2 mil milhões de toneladas de cereais são produzidas anualmente em todo o mundo. No entanto, pelo menos metade desses grãos é fornecida a animais criados pelas indústrias de carne e laticínios.

Quando analisamos de perto certos tipos de cereais (como milho, aveia, sorgo e cevada), os números são ainda mais chocantes. Calcula-se que 77% dessas culturas sejam destinadas à produção de ração animal.

Além disso, 90% de toda a soja cultivada no mundo serve como alimento para frangos, bovinos, ovinos, caprinos, suínos e outros animais criados em escala industrial.

O mais perturbador disso tudo é que a grande maioria desses vegetais é cultivada em países onde existem crianças morrendo de fome.

Outro dado mostra que 82% das crianças afetadas por esse problema vivem em países produtores de cereais destinados à alimentação animal. Estes mesmos animais morrem para chegar às panelas da sociedade ocidental.

Como declarou o filantropo Philip Wollen durante o seu famoso discurso no St James Ethics Centre, “cada pedaço de carne que comemos é um tapa na cara cheia de lágrimas de uma criança que passa fome.”

O problema da produção de carne bovina

A carne bovina representa apenas 2% das calorias consumidas mundialmente. No entanto, cerca de 60% das terras agrícolas do planeta são exploradas pela pecuária.

Embora qualquer tipo de carne custe caro para o meio ambiente (e sentencie os animais à morte), o problema da produção de carne bovina é ainda mais significativo.

A pecuária utiliza recursos naturais finitos da Terra. Todos os dias, em todo o mundo, as vacas criadas para a indústria alimentícia bebem mais de 170 bilhões de litros de água e comem 61 bilhões de quilos de ração!

Aliás, gasta-se mais de 15 mil litros de água para produzir apenas um quilo de carne bovina. Em contrapartida, a produção de um quilo de trigo precisa apenas de 1.500 litros de água, ou seja, uma quantidade dez vezes menor!

Em um planeta devastado pelos efeitos das mudanças climáticas e que sofre uma tensão constante por conta da escassez da água e da segurança alimentar, devemos nos perguntar: Por que desperdiçamos recursos naturais tão preciosos para manter hábitos alimentares tão insustentáveis?

O futuro da segurança alimentar e hídrica

Segundo as Nações Unidas, segurança alimentar é “quando todas as pessoas, em todos os momentos, têm acesso físico, social e econômico a alimentos suficientes, seguros e nutritivos para satisfazer as necessidades alimentares que precisam para ter uma vida produtiva e saudável”.

Tendo em vista as mais de 3,1 milhões de crianças que morrem de fome e as taxas anuais de desnutrição, a humanidade precisa rever as suas prioridades! Por quê? Para garantir, de uma vez por todas, que todos tenham segurança alimentar e hídrica.

De acordo com o projeto Water For Life da ONU, “são necessárias grandes mudanças nas políticas e na gestão de toda a cadeia agrícola para assegurar a melhor forma de se utilizar os recursos hídricos disponíveis em conformidade com a crescente procura de alimentos…”.

O complexo ciclo da pobreza

 

A pecuária é diretamente responsável por situações ligadas à fome e morte do ser humano. Essas circunstâncias fazem parte do ciclo da pobreza.

Mas, infelizmente, a solução não é tão simples! Dar vegetais destinados aos animais para aqueles que passam fome não vai resolver o problema. A transformação da sociedade também encontra obstáculos diante da atuação das corporações multimilionárias.

Segundo o pesquisador Richard Oppenlander, um pequeno grupo de multinacionais detém o monopólio de mais de 65% dos grãos e cereais produzidos no mundo.

Essas mesmas empresas também dominam 80% de todos os produtos de origem animal do mundo (incluindo as etapas de abate, processamento e empacotamento), o que evidencia o protagonismo dos interesses particulares.

Como explica o Dr. Oppenlander, a demanda global por carne vem de influências culturais, políticas e econômicas, estimulando que essas grandes corporações permaneçam dominando o cenário.

“Esta situação conduz a forma como os recursos globais estão sendo utilizados (terra, água, florestas tropicais, oceanos, atmosfera, biodiversidade), como o dinheiro é gasto e como as políticas são estabelecidas”, afirma o Dr. Oppenlander.

A Terra atende necessidades, não ganância


“A terra pode produzir o suficiente para atender a necessidade de todos. Mas não o suficiente para satisfazer a ganância de todos.

– (Phillip Wollen, 2012)

Quando nos deparamos com essas informações angustiantes, pode parecer difícil manter o otimismo ou imaginar um mundo mais generoso para os humanos e animais. No entanto, todos podem contribuir de forma positiva e fazer a diferença. Você pode começar ainda hoje!

Por falar nisso, um artigo publicado recentemente na conceituada revista Science mostrou que a melhor maneira de ajudar a proteger o nosso futuro é adotar o veganismo.

Pesquisadores da Universidade de Oxford descobriram que até mesmos as melhores práticas pecuaristas não produzem uma quantidade de proteína equivalente à gerada na pior das plantações – sem causar um impacto ambiental bem pior.

Cientistas afirmam que uma alimentação à base de vegetais, em escala mundial, reduziria em 49% a emissão de gases causadores do efeito estufa. Além disso, isso significaria uma diminuição de 19% no consumo de água. Essas mudanças atenderiam às nossas necessidades globais de abastecimento de alimentos.

É evidente que existam falhas no fornecimento de comida ao redor do mundo. Por isso, precisamos de uma mudança radical na forma como os seres humanos se alimentam (especialmente no Ocidente).

“Torne-se vegano para salvar o planeta” não é apenas um slogan. É uma mensagem fundamentada em uma infinidade de pesquisas e estatísticas publicadas em revistas científicas. Trata-se de uma escolha capaz de expressar solidariedade com as comunidades afetadas pela fome e pela pobreza.

Quer saber mais? Baixe nosso Guia de Veganismo para Iniciantes e conheça cardápios veganos maravilhosos. Essa é a inspiração que você precisava para começar ainda hoje a descobrir um novo estilo de vida.

 

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