É minha escolha pessoal comer carne

Ninguém quer receber ordens sobre o que fazer. Nós entendemos isso.

Em nossa sociedade, acreditamos que todos devem ser livres para viver suas vidas desde que suas escolhas não restrinja a liberdade ou afete negativamente o bem-estar de outra pessoa. Por exemplo, somos livres para comprar uma faca, mas isso não significa que somos livres para esfaquear alguém com ela. Entendemos os limites e os respeitamos.

Entendemos que se nossas escolhas têm impacto sobre os outros devemos pensar nelas cuidadosamente. O fato é que nossas escolhas alimentares realmente têm um impacto muito mais amplo do que somente em nossa própria saúde e aparência. Elas impactam outras pessoas, o meio ambiente e os animais de uma maneira que pode não ser tão evidente de imediato.

Para começar, o trabalho em matadouro já foi associado a uma variedade de distúrbios, incluindo o Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT) e o Estresse Traumático Induzido pela Perpetração (Etip). Também foi associado a taxas mais altas de criminalidade, incluindo violência doméstica, bem como abuso de álcool e drogas.1 No Brasil, o documentário Carne, Osso da ONG Repórter Brasil revelou que há 3,4 vezes mais chances do desenvolvimento de transtornos mentais entre os trabalhadores de frigoríficos do que na população em geral.2 Quando pedimos a alguém que corte a garganta de animais o dia todo, todos os dias – um trabalho que não estaríamos dispostos a fazer –, estamos colocando um fardo enorme sobre essa pessoa. A sociedade deve questionar se esses resultados são um preço aceitável a se pagar pela ingestão de carne.

Nossas escolhas alimentares afetam outras pessoas de maneira ainda mais ampla. Como muita terra é necessária para produzir carne, a maior parte dos grãos cultivados no mundo é direcionada para a alimentação de gado e aves da indústria pecuária. Há muitas razões pelas quais milhões de pessoas dormem com fome todas as noites3 – incluindo desastres naturais, guerra e corrupção –, contudo, um terço da colheita mundial de cereais4 e 70% de toda a colheita de soja do planeta5 vão para a alimentação de animais da pecuária. Se todo esse alimento produzido fosse disponibilizado diretamente para as pessoas, poderíamos erradicar a fome no mundo hoje.

A produção de alimentos de origem animal, além disso tudo, também é uma das principais causadoras das mudanças climáticas6 e do desmatamento,7 que afetam desproporcionalmente as pessoas mais pobres do mundo. E, é claro, também gera extinção de espécies,8 o que é uma tragédia para todos nós. No Brasil, com toda a destruição que presenciamos na Amazônia em 2019, não podemos esquecer que 80% desse desmatamento é causado pela pecuária.9

E quanto aos animais que passam vidas tristes e curtas dentro de gaiolas ou celeiros imundos enfrentando mutilações e a perda de seus filhotes? Se nossos cães e gatos fossem tratados dessa maneira, ficaríamos indignados. Ainda assim, tentamos não pensar nos animais que sofrem de forma despercebida para estarem em nosso prato.

O que comemos pode ser uma escolha pessoal, mas recomendamos que todos considerem esses impactos mais amplos antes de decidir quais alimentos comprar.

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