Dia Internacional das Mulheres

Jill Phipps and Regan Russell
Há muitas mulheres incríveis para mencionar, mas gostaríamos de prestar homenagem a duas: Jill Phipps e Regan Russell.

Em 1908, quinze mil mulheres marcharam pela cidade de Nova York exigindo menor jornada de trabalho, melhores salários e direito ao voto, numa ação semelhante a outras campanhas que começavam a surgir em todo o mundo naquela época. Em 1909, foi comemorado o primeiro Dia Nacional da Mulher nos EUA que, dois anos depois, se tornou uma iniciativa global. Hoje, governos, ONGs e instituições filantrópicas marcam esse dia para celebrar a importância das mulheres em nossa sociedade, chamar atenção para conquistas femininas apagadas pelo machismo na História e falar sobre questões fundamentais, incluindo equidade de gênero; igualdade de representação, educação e oportunidades; saúde; direitos reprodutivos e combate à violência contra as mulheres em todo o mundo. O Dia Internacional da Mulher continua tão relevante hoje quanto era em 1908.

Relevância para os animais de fazenda

Embora a data, com razão, se concentre nas mulheres, no dia 8 de março, lembraremos também a brutalidade da exploração animal na pecuária para celebrar o trabalho das mulheres que estão lutando diariamente para mudar essa realidade que os animais são forçados a enfrentar.

Na indústria pecuária, fêmeas de todas as espécies sofrem a exploração de seus sistemas reprodutivos. Vacas, ovelhas, porcas, perus e galinhas são confinadas ou enjauladas e engravidadas à força, porque as pessoas querem comer seus filhotes. Em sociedades que normalizaram a criação de animais para o consumo de alimentos, muitos nunca questionam isso, mas se pararmos um momento para pensar sobre essas mães, podemos começar a imaginar o sofrimento que suportam e a perda que sentem.

A maioria das vacas leiteiras são fecundadas à força por meio de inseminação artificial. Esta expressão suave esconde o processo invasivo que elas são obrigadas a enfrentar: uma pessoa insere a mão no reto da vaca para posicionar o colo do útero, enquanto introduz o sêmen com um aplicador em sua vagina. As vacas dão à luz a seus bezerros após nove meses de gestação, mas depois do parto, seus filhotes são tirados delas para que não bebam o valioso leite de suas mães. Essa separação é devastadora para ambos.

Em inglês, o dispositivo usado para segurar as porcas enquanto são inseminadas é conhecido por alguns como um ‘rape rack’, que quer dizer “suporte para estupro”. Na criação de ovelhas, os animais também não se reproduzem naturalmente. Os fazendeiros inserem nas fêmeas esponjas vaginais ricas em hormônios ou implantes hormonais para induzir o cio no tempo conveniente para o agricultor. Além disso, frequentemente, a inseminação é feita cirurgicamente, pois produz melhores taxas de concepção.

A todas as mulheres que se devotam suas vidas para acabar com esse sofrimento, dedicamos nossa admiração neste 8 de março.

Interseccionalidade

Machismo, racismo e exploração animal nasceram da mesma raiz: a categorização histórica dos seres vivos numa escala arbitrária de valor atribuído a cada um. Aqueles que planejaram o sistema e usaram seu poder e privilégio para defendê-lo, inevitavelmente se colocaram no topo. Abaixo deles vinham mulheres, negros, indígenas, pessoas de outras culturas e animais.

Hoje, estamos apenas começando a desconstruir os séculos de doutrinação em que nos ensinaram que esta é a “ordem natural” das coisas. E à medida que toda a força da opressão histórica e cultural é revelada e as próprias bases desse sistema começam a desmoronar, podemos ver como a luta pelos direitos humanos e pelos direitos dos animais caminham de mãos dadas. Somos gratos ao trabalho de Aph e Syl Ko, que defendem que a desconstrução desse sistema de crenças hierárquico beneficia a todos nós – mulheres, negros, indígenas, pessoas de outras culturas e animais.

Celebrando as mulheres

A Million Dollar Vegan tem orgulho de fazer parte de um movimento ousado, criativo e dinâmico que tem as mulheres em seu coração. Mulheres estão liderando ONGs, palestrando em escolas, conduzindo trabalhos acadêmicos, realizando investigações secretas, fazendo filmes, escrevendo livros, administrando santuários, ganhando campanhas e usando suas plataformas políticas, artísticas e sociais para lutar por um mundo melhor para os animais. Há muitas mulheres incríveis para mencionar, mas gostaríamos de prestar homenagem a duas: Jill Phipps, que foi morta quando atropelada por um caminhão em 1995 enquanto protestava contra a exportação de bezerros vivos para o comércio de vitela, e Regan Russell, morta no ano passado, enquanto participava de uma vigília pacífica em frente a um matadouro de porcos. Manteremos sua coragem e integridade dentro de nós e prometemos continuar sua luta por um mundo justo.

Experimente uma alimentação vegetal por 31 dias

Descubra o veganismo