A criação de porcos é cruel? Como os porcos são tratados na pecuária?

Pig factory farm
Crédito: L214

A vida em uma fazenda industrial é curta, miserável e cheia de dor. O sofrimento infligido aos porcos — que compartilham tantas características com nossos amigos caninos, incluindo inteligência, sociabilidade e até abanar o rabo quando estão felizes — é tão terrível que levaria à prisão alguém que fizesse o mesmo com cachorros.

O que é a pecuária suína?

O termo “pecuária industrial” descreve um sistema altamente intensivo que cria, engorda e mata um grande número de animais, desconsiderando seu bem-estar emocional e físico como se eles fossem apenas peças na linha de montagem de uma fábrica. A pecuária é um negócio antes de tudo, com o objetivo de maximizar os lucros e minimizar os custos. Sob esse sistema, porcos e outros animais — criaturas sencientes e sensíveis — são levados a seus limites biológicos e psicológicos, quando não são forçados a ir além desses limites.

Hoje, a imensa maioria dos animais criados para consumo no mundo vivem em vastas fazendas industriais.

A criação de porcos é cruel?

É incrivelmente cruel. Os porcos são animais muito inteligentes e altamente sociais, com personalidades e preferências distintas. Nas fazendas industriais, todo instinto animal é impedido e toda expressão de comportamento natural é negada. É possível que eles nunca vejam a luz do sol ou respirem ar fresco. Eles não podem viver em grupos, passear, explorar, escolher seus companheiros ou criar seus filhotes. Eles não têm nada para brincar ou para fazer — nada para satisfazer sua curiosidade natural. Toda a criação industrial é cruel e os porcos sofrem terrivelmente nesta indústria dura e impiedosa.

Como os porcos são tratados na pecuária?

Na natureza, as porcas andariam quilômetros para encontrar um lugar privado onde pudessem construir um ninho seguro para dar à luz a seus filhotes. Nas fazendas industriais, as porcas são engaioladas durante toda a gravidez e essas mães amorosas têm suas ninhadas tiradas delas repetidamente. Elas suportam inseminações forçadas e gestações repetidas até que não sejam mais férteis. Depois de anos de tormento físico e psicológico, são transportadas para a morte, com a maioria nunca tendo sequer andado sobre a terra.

Leitões têm seus rabos cortados

Dentro de fazendas industriais, esses animais curiosos e brincalhões não recebem nada para melhorar suas vidas e ocupar suas mentes. Frustrados e entediados, eles se voltam uns contra os outros, mordem os rabos ou as orelhas dos outros animais, muitas vezes causando feridas e até multilações. Em vez de melhorar as condições de vida e aliviar o estresse e o tédio dos animais, os suinocultores cortam as caudas e trituram ou cortam os dentes deles sem analgésicos. Esses pobres animais enlouquecem de tédio e são punidos por isso.

Busca por alimentos

Um comportamento essencial dos porcos é forragear — procurar por comida. Naturalmente, eles comeriam grama, arbustos, frutas, minhocas, insetos e até carniça. Usando seus focinhos poderosos, eles reviram pedras, arrancam bulbos e tubérculos e quebram o solo para encontrar seus alimentos favoritos. Nas fazendas industriais, eles são alimentados com ração altamente processada, que geralmente inclui soja de terras desmatadas.

Reprodução forçada

Como todos os animais, as porcas gostam de escolher seus parceiros, mas na pecuária não há escolha. Um varrão — porco reprodutor — pode engravidar todas as porcas, mas cada vez mais os suinocultores inseminam as porcas artificialmente. Eles inserem uma haste na vagina de cada fêmea e a empurram até o colo do útero. Então, eles introduzem sêmen de um macho, que também é mantido confinado e de forma miserável dentro de uma fazenda industrial. Não é exigido um veterinário para realizar este procedimento delicado.

Vivendo em gaiolas

Como se isso não bastasse, a maioria das porcas é aprisionada em pequenos compartimentos conhecidos como “gaiolas de gestação” (também chamados de baias de gestação) durante toda a gravidez de 16 semanas. Em desespero, elas tentam construir um ninho dentro de suas gaiolas, mas é claro que é totalmente inútil. Não há material para isso. Essas mães passarão a maior parte de suas vidas aqui, em um espaço tão pequeno que elas podem apenas dar um ou dois passos para frente ou para trás, mas não podem se virar. As gaiolas são tão cruéis que são ilegais no Reino Unido, na União Europeia e em outras partes do mundo, mas continuam legais no Brasil até 2045.

Vivendo em seus próprios dejetos

Os porcos são animais muito limpos. Eles chafurdam na lama apenas para se refrescar no verão. Contudo, a quantidade de excremento produzido em uma fazenda industrial é tão grande que muitas vezes não há como escapar da sujeira. Os animais podem ser forçados a ficar de pé, deitar e dormir em seus próprios dejetos. Investigações mostram que isso também acontece no Brasil.

Ficar de pé e dormir em pisos de concreto

Quer estejam em gaiolas de gestação ou em currais, os porcos são frequentemente mantidos em pisos de concreto. Isso pode causar feridas de pressão horríveis nos ombros dos animais, enquanto pisos de concreto com ripas, que permitem a passagem de dejetos pelas fendas, torna a claudicação mais provável.

Transporte cruel

Com apenas alguns meses de idade, os porcos são transportados para o matadouro, muitas vezes percorrendo longas distâncias e enfrentando todo tipo de condição meteorológica. Eles são sensíveis a altas temperaturas e umidade e, como suam apenas pelo focinho, são propensos à desidratação e insolação. Os caminhões que os transportam geralmente são mal ventilados e eles ficam amontoados. Muitos não sobrevivem à jornada.

Como os porcos são mortos nos matadouros?

Aqueles que sobrevivem à longa e exaustiva jornada enfrentam um final aterrorizante na chegada ao matadouro. Alguns serão forçados a entrar em câmaras de gás e morrerão sufocados. Outros terão uma corrente elétrica passando por seus cérebros, que supostamente os atordoaria, mas muitas vezes falha, serão içados por uma pata traseira e suas gargantas serão cortadas. Não são apenas os jovens que sofrem com isso. Suas mães têm o mesmo destino quando ficam esgotadas por causa do pesado custo físico, emocional e psicológico da vida em uma fazenda industrial.

Impactos ambientais

A pecuária industrial não é apenas ruim para os porcos, é ruim para o planeta e isso também é ruim para nós. As fazendas de suínos produzem tanto excremento que não há lugar para descartá-lo com segurança. Assim, ele é armazenado em imensas “lagoas” cujos gases matam frequentemente os trabalhadores da pecuária e causam dificuldades respiratórias nas pessoas que trabalham nas fazendas ou até mesmo moram nas proximidades. Além disso muitas vezes essas lagoas vazam. Os dejetos entram em cursos de água e alimentam a proliferação de algas, que causam desoxigenação e matam a vida aquática. Nos oceanos, esses resíduos têm o mesmo efeito e originam o aparecimento de zonas mortas.

Outro problema sério é o desperdício de água. A pecuária usa mais água do que a agricultura e os porcos são considerados os animais mais sedentos de todos. Uma fazenda de tamanho médio com 80.000 porcos precisa de aproximadamente 283 milhões de litros de água doce por ano. Uma fazenda grande, que chega a ter um milhão de porcos ou mais, pode precisar de tanto quanto uma cidade. À medida que a escassez de água se torna mais generalizada e grave, podemos realmente nos dar ao luxo de desperdiçar esse recurso precioso?

A pecuária também é responsável por 14,5% de todas as emissões de gases de efeito estufa geradas pelo homem. Isso é mais que o combustível de cada carro, avião, caminhão, navio, ônibus e trem do planeta. Para evitar o colapso climático, precisamos parar de criar animais.

Como você pode ajudar os porcos da pecuária?

A melhor maneira — na verdade, a única maneira — de ajudar a proteger os porcos dessa crueldade é parar de consumir a carne e os outros produtos feitos de seus corpos. Só assim poderemos acabar com essa crueldade.

Conclusão

A pecuária dá aos animais o mínimo absoluto necessário para que a maioria deles permaneça vivo o tempo suficiente para atingir o peso de abate. Ela não lhes oferece absolutamente nada a mais. Se queremos um mundo compassivo, onde a equidade e a justiça sejam o centro das atenções, então temos que acabar com a pecuária e as fazendas industriais precisam ser as primeiras a serem abolidas.

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